O PESO DO MEU PESO
Vamos começar dizendo que eu tenho “ossos largos” ou, de um
jeito simpático, sempre fui considerada “gordinha”. Me lembro muito bem de
quando fui morar em Guarapari, tinha acabado de iniciar a faculdade. Eu
acordava às 05:00 todos os dias, ia para Vila Velha de topic, estudava até às
12:30, fazia estágio até as 18:00 e voltava para minha casa (que na verdade era
o sítio do meu avô, que fica no meio do nada num bairro rural próximo de
Perocão). Não sei se foi bem nesse momento que tudo desandou... na verdade
ainda não consigo encontrar o momento exato disso.
Minha vida sempre foi movida por impulsos. E não digo apenas
dos meus, mas os dos meus pais também que sempre se aventuravam em alguma coisa
e não pensavam muito se aquilo daria certo ou não.
Enfim, voltando ao assunto: Eu nunca tinha me preocupado com
meu peso, até que me mudei para Guarapari. Lá eu não tinha tempo de me cuidar,
comecei a me alimentar mal porque odiava aquilo e o pior, passei a ter
responsabilidades, ansiedades e ganhar meu próprio dinheiro o que levou a
engrandecer uma compulsão que já existia em mim.
Eu ainda tento descobrir o que de fato iniciou esse péssimo
hábito de descontar tudo na comida – quando eu descobrir te conto – mas eu
tenho lutado contra isso todos os dias da minha vida.
Uns 6 meses depois de me mudar para Guarapari, consegui convencer
meu pai de que aquilo havia sido a pior ideia do mundo e voltamos para Vila
Velha. Logo nas primeiras semanas que eu estava de volta, uma prima minha me
perguntou se eu estava grávida, por causa do tamanho dos meus seios (que
aumentaram muito junto com todo o resto).
Aquilo me machucou muito. Eu ainda não tinha parado para
pensar no meu tamanho. Sabia que estava acima do peso, mas ainda não havia me
tocado do quanto. Malhei, emagreci e voltei ao que eu era. Pelo menos o corpo
voltou, eu não. Nunca mais tive confiança, nunca mais me senti livre para ficar
confortável de biquíni.
Já se passaram 5 anos desde que isso aconteceu e eu ainda não
me recuperei. Pelo contrário, só me sinto pior. Meu peso hoje é muito maior do
que naquela época. Mas o pior de tudo mesmo não é o que o espelho me mostra e
sim o que eu sinto quando eu olho para ele.
O que eu sinto sobre eu mesma, ninguém deveria sentir. O
padrão estético, a beleza é algo que doí na maioria das pessoas. Quantos que
você conhece que são perfeitos? Já parou para pensar em quanto alguém pode
sofrer por estar acima do peso, ser magro demais, ter alguma deficiência ou
simplesmente não ser bonito aos olhos da sociedade?
Estou tentando me desprender desses sentimentos. Iniciei
atividades, estou tentando meditar regularmente e mudar o foco da minha
ansiedade, da minha compulsão. Claro que eu quero emagrecer, mas tenho que
reconhecer que eu preciso primeiro ser feliz. Em nada vai adiantar eu vestir 36
se ainda for insegura. O que vai adiantar ser elogiada pelas pessoas se eu
mesma não me enxergo de uma maneira positiva?
Talvez seja por esse motivo que até hoje eu não consegui
emagrecer de forma definitiva. Eu acho que não mereço isso, que não sou digna e
que nada do que eu fizer para ficar “bem” será o suficiente. Estou focando no
resultado errado. Eu preciso acreditar e fazer isso por mim! Para que eu fique
saudável e bem aos meus olhos, e não aos olhos daqueles me enxergam de maneira
negativa e soltam palavras duras de desaprovação.
Ser feliz, ser saudável, ser paz. Acho que é isso e os
resultados virão com o tempo. Parar de me intoxicar com alimentos que só me
fazem mal. Deixar de comer para preencher um vazio sentimental e comer por
estar com fome, comer para viver e não viver para comer. Buscar alegria nas
coisas mais simples da vida, nas boas companhias, nos meus amigos, em um
passeio de bike na orla e um mergulho na piscina. Ser feliz de verdade, ser
honesta comigo mesma e ter paciência, afinal de contas, o resultado dessa
felicidade e de toda essa mudança de hábitos positiva virá com o tempo.

Vc me enche de orgulho. Te admiro pela mulher forte que vc é, e to com vc nesse processo. Te amo muito
ResponderExcluirTe amo demais. Obrigada por sempre estar presente em todos os momentos difíceis da minha vida.
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