O INÍCIO
Como começar um blog? Por que começar a escrever algo sobre minha vida quando, em tese, ninguém quer saber sobre ela?! Essas são perguntas que eu só saberei as respostas com o tempo.
Hoje eu fui ao fórum... não,
espera. Vou começar do início:
Meu nome é Renata, eu tenho 24
anos e sou advogada. Entrei na faculdade em 2012 e me formei em 2017/2. E daí?
Bom, acho que atualmente o que mais defini quem você é, é, de fato, o que você
faz.
Quando eu estava no ensino
médio eu sonhava com o curso de direito, com as roupas sociais, saltos altos e
todo o poder que emanava desta posição social. Sei lá, talvez eu estivesse
vendo muitas séries de TV como Suits e The Good Wife, ou a pressão para dar
continuidade ao legado da família me chamasse a atenção. Enfim, acho que ainda
não encontrei a resposta para tal desejo desfundado.
De qualquer forma, eu terminei o curso,
sem muitas honras, mas terminei. Passei na OAB e fui tomada de um sentimento de
felicidade que me encheu de esperanças. Depois disso fiquei um ano
desempregada. Entrei em duas “sociedades” que afundaram antes mesmo de dar
certo e ainda trabalhei meio período em uma administradora de condomínio onde,
eu não ganhava bem, mas me mantinha ocupada e longe da depressão de “não estar
fazendo nada”.
Nesse exato momento eu estou sentada em
uma sala do escritório do meu avô, junto com mais três colegas. Elas,
provavelmente, estão estudando – com exceção da J que deve estar no Whatsapp
(sorry amiga). Todas estão lutando, estudando e correndo atrás de passar na OAB,
atrás da conquista... e eu tento não desanima-las, mas é difícil quando eu
mesmo estou desanimada com o que a vida tem me trazido profissionalmente.
Cada uma tem uma dificuldade e todas são
mulheres na casa dos 30 e estão ai, com esperança de que a vida vai melhorar e
que “isso” que a gente tanto sonhou vai render frutos no futuro.
Atualmente, eu penso diferente de quando
comecei a faculdade. Não quero mais saltos altíssimos, poder e roupas sociais.
Eu quero ajudar. Eu quero que aquela mãe que não consegue criar os filhos com a
mixaria que o pai paga de pensão tenha em quem se apoiar, tenha alguém que
possa confiar. Mas infelizmente ajudar as pessoas não nos dá o retorno
financeiro que, de certa forma, é necessário para sobreviver nesse mundo
capitalista.
E falando sério, eu nem sou uma
consumista. A maioria das minhas roupas são de 2ª mão, adoro um brechó. Não tenho
iphone e tenho tendência a comprar tudo o mais barato possível. E mesmo assim,
ainda é difícil conseguir pagar as contas e se manter.
Ok, já estou fugindo do assunto. O que eu
quero dizer é que hoje eu fui no fórum, e voltando de lá, no banco do carona do
carro do meu pai eu parei para pensar em quantas coisas eu poderia ter feito e
que me fariam mais feliz hoje. Talvez seja só a frustação de tudo dar errado,
ou de não ver a vida andar para frente. Pode ser também que se eu tivesse feito
gastronomia ou ed. Física eu estaria sonhando com o que o curso de direito
poderia ter sido.
Acontece que a gente nunca vai saber. O
ser humano nunca está satisfeito com o que tem nas mãos. Eu sou nova e tenho um
mundo pela frente e estou aqui reclamando, enquanto tem gente que tem 40, 50
anos e está começando a faculdade agora.
O que nos resta é persistir, reconhecer
que o Brasil não se encontra num momento econômico bom para o crescimento
profissional e esperar. ESPERAR, mas não ESPERAR SENTADO. Enquanto o mundo está
se transformando e melhorando você precisa fazer o mesmo, eu preciso fazer o
mesmo. Melhorar minhas habilidades, minha mente e meu corpo.
Eu comecei esse blog porque sinto a
necessidade de desabafar e nem sempre quero falar com quem está perto de mim. É
quase que uma conversa comigo mesma. Eu escrevo e no final chego em conclusões
que, talvez, se nunca tivesse passado isso para o papel eu não chegaria.
Enfim, por hoje é só. Eu acho. Não sei,
não existe regra aqui. Eu só quero ter um espaço para escrever, liberar
sentimento.

Muito bom! 👏🏻👏🏻👏🏻
ResponderExcluirMuito bom texto, Renata! bjo
ResponderExcluirVc é maravilhosa demais
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